Onboarding de SaaS começa pela primeira tarefa real

Uma peça pronta, uma revisora do outro lado e uma resposta para acompanhar. Veja como esse trabalho pode dar propósito à primeira experiência em um SaaS.

Ilustração em tinta e aquarela de um suporte de livros montado sobre uma mesa clara, com um caderno apoiado e um longo mapa de instruções dobrado ao fundo.

Imagine uma agência com uma peça de campanha pronta para o cliente aprovar. Paula, do atendimento, entra pela primeira vez no software que a equipe está testando. Escolhe a cor do espaço, conhece os relatórios e fecha o último balão do tour. A peça continua no computador dela. Agora falta descobrir como enviá-la, quem poderá abrir o arquivo e onde a resposta ficará registrada.

Essa primeira solicitação oferece um ponto de partida para melhorar o onboarding de SaaS. Ao acompanhar uma tarefa de verdade, a equipe consegue enxergar o que precisa explicar, quais configurações podem esperar e onde o trabalho para. Para Paula, o benefício é concreto: sair da primeira sessão com a peça encaminhada à pessoa certa e saber como acompanhar a revisão.

Comece pela peça que precisa ser aprovada

Nessa agência fictícia, arquivos e comentários circulam por e-mail e WhatsApp. Paula quer reunir a conversa em torno da versão correta da peça. A primeira experiência pode ajudá-la a fazer isso desde a entrada: escolher o material, indicar a campanha e convidar Marina, responsável pelo marketing do cliente.

Com esse percurso em vista, fica mais fácil decidir o que pertence ao onboarding. Conferir o acesso de Marina é necessário antes de compartilhar. Preencher todo o perfil da agência pode ficar para depois. A pergunta deixa de ser quantos recursos cabem na apresentação e passa a ser o que Paula precisa para enviar aquela peça com segurança.

A Intercom parte do trabalho que o cliente quer realizar em sua abordagem de onboarding orientado a valor, publicada em 2018. Esse olhar ajuda a escolher um primeiro resultado reconhecível. Criar um projeto vazio ainda deixa Paula longe do que veio fazer. Uma solicitação enviada à revisora certa já muda a situação da campanha.

Esse também é um bom limite para a primeira sessão. Paula pode concluir o envio, mas a revisão depende de Marina. O produto precisa dar nome aos dois momentos para que a equipe consiga acompanhar cada um e Paula saiba quando pode parar de configurar e seguir com o dia.

Explique cada decisão enquanto ela acontece

Ao convidar Marina, Paula tem uma dúvida específica: o cliente verá apenas aquela peça ou todos os projetos da agência? Uma explicação ao lado da escolha de acesso ajuda a responder antes do envio. Uma apresentação sobre permissões, exibida várias telas atrás, exige que ela se lembre da regra justamente quando precisa tomar a decisão.

A análise da Nielsen Norman Group sobre tutoriais e ajuda contextual descreve esse problema de memória e interrupção. Também aponta espaço para tutoriais que permitem praticar e voltar às instruções. Para a agência, uma demonstração opcional de comparação de versões pode ser útil, desde que Paula consiga abri-la quando precisar e reencontrá-la depois.

Se ainda não houver uma peça liberada para compartilhar, um material de exemplo permite experimentar comentários e revisões. Ao passar para a primeira campanha real, o produto deve deixar claro qual arquivo será enviado, para quem e com qual acesso. Essa confirmação faz parte do trabalho. Os destinatários da demonstração não podem seguir escondidos na solicitação real.

Essa ideia aparece no tutorial do primeiro commit no GitLab: a pessoa aprende ao alterar um arquivo e conferir a mudança no projeto. Para Paula, a prática poderia terminar com uma revisão registrada sobre o material de exemplo, pronta para ser consultada novamente.

Mostre o que já foi feito e quem age agora

Paula envia a peça no fim do dia. Marina só poderá olhar na manhã seguinte. Se o produto continuar mostrando “onboarding incompleto”, Paula terá de descobrir se falta fazer alguma coisa ou se basta esperar. Uma mensagem como “Peça enviada. Aguardando a revisão de Marina” explica a situação e reconhece o trabalho concluído.

A tela pode manter à vista a versão encaminhada, o horário do envio e a pessoa que recebeu acesso. Se o convite falhou, é ali que Paula precisa saber e encontrar uma forma de corrigir. Se ele foi enviado, a solicitação deve continuar no mesmo ponto quando ela voltar. Recomeçar o tour não ajuda a acompanhar uma campanha em andamento.

Na manhã seguinte, Marina abre a peça e pede um ajuste no texto. A campanha ainda não está aprovada, mas o fluxo já produziu um resultado útil: há uma resposta ligada à versão que ela recebeu. Paula consegue encaminhar a alteração sem procurar o comentário em outra conversa. Contar apenas aprovações positivas esconderia esse progresso.

A espera merece atenção também na análise. O tempo para preparar e enviar a solicitação mostra uma parte da experiência; o intervalo até a resposta mostra outra. Separar os dois ajuda a investigar se a dificuldade está no envio, no acesso do cliente ou no andamento da colaboração.

Acompanhe a tarefa até a decisão

Um tour concluído informa que alguém chegou ao fim da apresentação. Para saber como a primeira campanha andou, a equipe precisa acompanhar também o envio da peça e a resposta do cliente. A documentação da Amplitude explica como eventos registram ações e propriedades acrescentam contexto. Em um funil de análise, a conclusão depende da sequência que a equipe escolheu medir.

No exemplo, faz sentido ligar envio e decisão à mesma solicitação. Paula realiza uma ação, Marina realiza a outra. Procurar as duas na conta de uma única pessoa faria parte do trabalho desaparecer da análise. Também vale distinguir materiais de exemplo de peças reais, sem copiar o conteúdo dos arquivos para os eventos.

Ao comparar versões do onboarding, observe quem conseguiu enviar uma peça, onde os demais pararam e quais solicitações ainda aguardam revisão. Use o mesmo período de acompanhamento e considere diferenças entre as contas. Uma melhora nesses resultados é um sinal para investigar; seu efeito na retenção precisa ser acompanhado ao longo do tempo.

Escolha uma tarefa para revisar nesta semana

Para começar, escolha um tipo de usuário e escreva o resultado que ele deveria alcançar na primeira sessão. No caso de Paula, seria: enviar uma peça real à revisora certa e conseguir localizar o status da solicitação. A frase deve ser específica o bastante para alguém observar a tarefa e dizer se ela aconteceu.

Depois, acompanhe uma pessoa nova tentando chegar a esse resultado. Veja onde ela procura ajuda, qual informação precisa repetir e o que a obriga a sair do produto. Escolha um desses obstáculos, ajuste o percurso e observe a próxima tentativa. Essa escolha dá à equipe uma mudança concreta para testar e uma forma de avaliar se o trabalho ficou mais fácil.

Quando Paula voltar, o ponto de partida será a resposta de Marina e a próxima versão da peça. É esse trabalho em andamento que o onboarding deve ajudá-la a alcançar.

Escrito por

João Müller